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As aparência enganam

  • 20 de Maio de 2013 - 10:52:18
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As aparência enganam

 

Eram quase nove horas da manhã e o frio já tinha amenizado. Eu estava fazendo o checkout no Hotel em Kaliningrad (Калининград), enclave da Rússia, quase na fronteira com a Lituânia. 

Ia pegar a estrada no sentido ao norte da Polônia, e lá, decidir qual seria o meu próximo destino.


 

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No dia anterior tinha conversado com Lewis, um cidadão inglês, professor de geografia em Londres, e ele, me deu algumas referências de lugares interessantes. Entre várias opções, as construções antigas, ao sul as margens do rio Pregolya foi a qual mais me atraiu.

Assim o fiz. Peguei a motocicleta e seguindo as coordenadas do mapa da cidade e do GPS cheguei em uma ponte que me permitia ter uma boa vista, mas a iluminação não estava favorável para fotografar.

Quase meio sem destino, fui percorrendo algumas ruas nas proximidades as margens do Rio Pregolya.

Uma leve garoa molhava o piso e o reflexo da luz começou a proporcionar um bonito contraste para uma foto em Preto & Branco. Solto da motocicleta e começo a caminhar por aquelas pequenas ruas em busca de alguma imagem.



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Quando menos espero, vejo um homem de uns 70 anos, mexendo em algo que fazia fumaça, parecendo ser um pequeno incinerador. 

Era uma imagem que despertou minha atenção, não só pela luz, mas pelo traje deste homem, com uma longa barba, concentrado nos seus afazeres.

Ali, eu imaginava um “homem de rua” fazendo algo sem muito sentido, mas de forma natural, o que poderia render uma boa foto. 

Já com a máquina fotográfica em mãos, a uns 150 metros deste homem, comecei a registrar as imagens daquela cena.

Quando menos espero, este homem vem andando na minha direção. 

Pronto, eu já estava achando que a cena ia se repetir, quando há uma semana atrás, ao fotografar um homem na Cracóvia, o cara chegou a empunhar uma espada contra a minha pessoa. 

Mas desta vez, não. 
Este homem caminhava na minha direção, e percebia que os seus passos eram serenos, e trazia tranquilidade na sua expressão.

Ao se aproximar, este homem disse algo em russo que não entendi absolutamente nada! Perguntei se ele falava inglês, e minha pergunta ficou no ar, sem qualquer resposta, dando a entender que não fui compreendido. 

Mas de alguma forma nós nos entendíamos, mesmo eu falando em português e ele no seu idioma. 

Querendo demonstrar a minha intenção de estar ali, comecei a mostrar as fotos já digitalizadas na minha câmera. Neste momento, este senhor, de forma compenetrada, mostrava na sua feição, estar totalmente entretido com as imagens. Enquanto via as fotos, mantinha a mesma serenidade quando se aproximou.

O homem começou a falar algo, e eu sem compreender absolutamente nada o que ele dizia, mas entendi que era pra eu o seguisse. Assim o fiz.



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O homem caminha em direção ao palacete. No momento achei que ele fosse me mostrar algo no lado de fora daquele muro alto. Mas não, ele se dirigia ao portão principal. Caminhei junto com ele e a cada passo a curiosidade ia aumentando pra saber o que o homem queria me mostrar.

O portão principal cada vez mais ia se aproximando, quando percebi que a intenção deste homem seria de fato adentrar o palacete, e eu parei por ali mesmo. 

Seria problema na certa! Imaginem, eu em um lugar que sequer conseguia entender o idioma, invadindo propriedade alheia!!!! Até pra chamar uma assessoria jurídica seria mais fácil aprender a falar russo! 

O homem viu que eu tinha “travado” na subida de uma pequena ponte que dava acesso a um grande portal, me pega pelo braço e diz algo, que até já conseguia traduzir, “venha”!... 

No meio a tensão da insistência deste homem querendo que eu “invadisse” na companhia dele, aquele palacete, estranhamente, uma pessoa que estava ao lado daquele grande portal se posiciona como se estivesse nos dando passagem.

Fiquei quieto, atento, e caminhando no mesmo ritmo dos passos do homem. Assim que passamos o perímetro que dava acesso ao pátio, mais uma outra pessoa se aproxima demonstrando uma certa subserviência ao homem que me convidava. Comecei a ficar mais tranquilo. Ali, eu já tinha plena convicção da familiarização deste homem com o palacete. Comecei a imaginar que este homem também deveria pertencer ao quadro de funcionários do lugar.



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Seguíamos pelo imenso jardim até uma escada. Ao chegarmos no andar superior, uma mulher com traje típico de uma serviçal, pergunta algo pro homem, e se ausenta. O homem me leva até uma sala de estar e sinaliza pra que eu me sentasse. Me sentia mais tranquilo, já tinha certeza que não mais precisaria de assessoria jurídica por invasão de propriedade.

O homem me pergunta se quero beber algo (entendi pelos sinais), e tentei dizer água... Ele chama a mesma serviçal, e em poucos instantes, ela traz uma bandeja com duas taças, que pela coloração, acho que era vinho, e uma jarra com água.

Tomei a minha água, e ouvia o homem falar, mesmo sem entender, eu o compreendia com os seus gestos. Chegam à sala duas meninas, uma com uns 10 anos e a outra no máximo, tendo uns 7, acompanhadas de uma outra serviçal, a provável babá destas crianças. Com a mais velha, consegui fazer uma foto, mas a menorzinha não quis ser fotografada por nada. Entendi que eram netas neste homem.

Já era hora de nos apresentarmos... 

Disse o meu nome lentamente e sinalizando para a minha pessoa... O homem repetiu o meu nome perfeitamente. Ele diz algo com o mesmo gesto, que desta vez, consigo entender... Vladimir

Repetimos mais uma vez o nome de cada um e ali o nosso aperto de mão, como se estivéssemos selando o “muito prazer”.



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Pedi a Vladimir que me desse o seu e-mail para que assim que eu pudesse lhe enviasse a foto da sua neta. Vladimir fica sem entender, e depois de um tempo, ele chama uma pessoa que falava inglês. Agora, já ficou mais fácil. Chega uma moça, Karen, com o mesmo traje dos demais serviçais, e nos ajuda na tradução. 
Ela me dá por escrito o nome completo do Vladimir e o seu telefone. Karen me fornece um e-mail de outra pessoa, dizendo que Vladimir não usa a internet. Também deixei o meu nome e sobrenome com o e-mail e telefones do Brasil. Com Karen ali na sala pra nos ajudar na tradução, eu explico pra Vladimir que é hora de pegar a estrada.

(Foto: Neta de Vladimir)

Vladimir diz algo em russo para Karen, que por sua vez pede para que eu espere mais um pouco que ela iria pegar algo. Não mais que 5 minutos, Karen volta com algo embrulhado em um veludo e entrega nas mãos de Vladimir.

Vladimir se levanta, estende a sua mão, e abre aquele pequeno saco de veludo e tira de dentro um pequeno cálice. Karen neste momento me diz que aquele cálice é pra que eu sempre me lembre de Vladimir e sua família.

Peço a Karen pra traduzir que naquele momento eu nada tinha pra deixar de lembrança, mas que guardaria comigo este momento para o resto da minha vida.

Após Karen traduzir a minha mensagem pra Vladimir, ele diz algo pra ela em russo, e chega a vez da tradução para o inglês... Sr. Vladimir te disse que: 

“Não importa a materialidade dos presentes, que o pequeno cálice presenteado naquele momento, até poderia quebrar na minha viagem, mas a lembrança, jamais!”.

E ali eu estava prestes a seguir o meu destino, levando comigo não só a lembrança de tudo que aconteceu, mas com algo muito mais valioso... Em reaprender a não enxergar as pessoas pela sua aparência.

Não podia deixar de registrar esta passagem com o Sr. Vladimir.

A viagem continua.

Um grande abraço.


Eduardo Wermelinger

Fonte: http://www.rotaway.com/content.asp?id=975&tc=&cc=7&descricaocc=Especiais%22


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